19 de fevereiro de 2015, 12:45.

Uso de Creme Dental com flúor a partir do aparecimento dos primeiros dentinhos

Uso de Creme Dental com flúor a partir do aparecimento dos primeiros dentinhos

Uso de Creme Dental com flúor a partir do aparecimento dos primeiros dentinhos

A revista Crescer do último dia 11 publicou uma matéria que deveria ser lida por todas as mamães. Eu vivo falando aos pais dos meus pacientes que eles devem utilizar pasta de dentes com flúor a partir do aparecimento dos primeiros dentinhos, mas eles me olham com aquela cara desconfiada, ou dizem que o pediatra havia indicado pasta de dentes sem flúor por conta da fluorose. Desta forma, nada melhor do que a comprovação da Associação Americana de Pediatria para suportar minhas dicas.
Pois bem, vamos por partes então.

O QUE É FLUOROSE?
A fluorose é uma doença causada pela ingestão descontrolada de flúor, que pode se manifestar de duas formas. A fluorose aguda é uma intoxicação ocasional quando uma grande quantidade de flúor é ingerida de uma só vez, podendo causar sintomas como vômitos, diarréias, tontura, e dores abdominais. A outra forma de manifestação, e mais comum, é a fluorose crônica, quando pequenas quantidades de flúor são ingeridas por um longo período de tempo, causando efeitos estéticos no esmalte do dente, como estrias, pontos ou manchas na cor branco-opaco ou até amarelo-marrom.

QUAL É O ERRO DE INTERPRETAÇÃO?
O erro está na correlação direta da ingestão de flúor com a ocorrência da doença flourose. É claro que um bebê ainda não consegue cuspir a pasta de dente em excesso e acabará ingerindo um pouco de pasta durante a higiene, mas o que causa fluorose é a ingestão DESCONTROLADA do flúor. Digamos que a criança precisa pegar o tubo da pasta e comer, a pequena quantidade ingerida durante a escovação não é suficiente para causar fluorose.

O QUE RECOMENDA A ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PEDIATRIA?
Apesar de esta ser a recomendação oficial do órgão brasileiro desde 2009, somente agora a Associação Americana de Pediatria se manifestou a favor do uso. Alinhando-se à Sociedade Brasileira, a Associação Americana recomenda que as crianças a partir do primeiro dente usem uma escova de cerdas macias adequada à sua idade, e pasta de dentes flouretadas com incidência de a partir de 1100 ppm (partes por milhão) de fluoreto, em uma quantidade de um grão de arroz cru para crianças até os 3 anos, e um grão de ervilha para crianças maiores que 4 anos. A pasta deve ser usada sobre a supervisão de um adulto, e orientação de um Odontopediatra, porque a indicação varia de acordo com a rotina alimentar e as características de cada criança.

QUAIS AS PASTAS INFANTIS QUE PODEM SER USADAS, NO MERCADO BRASILEIRO?
As pastas para adultos costumam ter uma incidência de 1450 ppm de flúor, o que está dentro do recomendado, portanto poderiam ser usadas sem problema nenhum. Contudo, geralmente as crianças não gostam do sabor da pasta de dentes para adultos. Em relação às pastas infantis, deve-se sempre olhar na embalagem se contém a quantidade indicada de floureto. Se a pasta tiver menos de 1100 ppm de flúor, não previne contra cáries, portanto não deve ser usada. As seguintes marcas comerciais de pastas infantis apresentam a quantidade adequada de flúor:

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QUAL A FREQUÊNCIA DE ESCAVAÇÕES POR DIA?
O ideal é que toda a escovação que for realizada pelos pais ou cuidadores seja feita com uso de pastas fluoretadas. Caso a criança realize a higiene na escola, ou até em casa sozinha, em outros períodos do dia, pode utilizar a pasta sem flúor até que os pais estejam seguros que ela consiga cuspir, e que coloquem a quantidade indicada de pasta na escova. A dica para as crianças que ainda não conseguem cuspir e bochechar, é que os pais removam os resíduos de pasta dental com uma gaze ou frauda umedecida, para que a ingestão seja minimizada.

É importante salientar que a alimentação tem forte influência sobre a prevalência de cáries, portanto o  ideal é que as crianças evitem produtos industrializados como bolachas, bolinhos, salgadinhos, danones, sucos de caixinha, bem como doces em geral. Além disso, o estabelecimento de refeições pré-determinadas também ajuda na prevenção de cáries, porque o hábito de “beliscar”o dia todo acaba favorecendo uma formação de placa bacteriana muito maior, além de desorganizar o horário das escovações. Uma das funções da saliva é proteger os dentes, criando uma camada em volta deles que evita a desmineralização, além de limpar os restos alimentares e microorganismos causadores ca cárie.

Quando a alimentação é descontrolada, a saliva já não consegue fazer sua função.
Aguarde a postagem sobre alimentação para maiores informações.

Dra. Bárbara Galletti Lourenço
CRO 105037
Especialista em Odontopediatria pela USP- SP.

Fonte:
http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Saude/noticia/2015/02/associacao-americana-de-pediatria-aprova-uso-de-creme-dental-com-fluor-desde-o-primeiro-dente-do-bebe.html

9 de fevereiro de 2015, 08:05.

Amamentação – Benefícios do leite materno

BENEFÍCIOS DO LEITE MATERNOBENEFÍCIOS DO LEITE MATERNO
O leite materno é um composto natural que possui todas as substâncias que faltam ao recém-nascido, protegendo-o de agressões diversas, como as provocadas por doenças causadas por vírus e bactérias. Além disso, possui os nutrientes necessários ao crescimento até o sexto mês de vida.

Contém anticorpos que o protegem contra doenças infantis, neuropsicomotoras, alérgicas ou infecciosas, doenças principalmente relacionadas ao aparelho digestivo e respiratório.

O leite materno possui elementos antiinfecciosos: os leucócitos (células brancas) que destroem bactérias perigosas e substâncias que causam alergias e a lactoferrina, proteína que atua no intestino impedindo o crescimento de bactérias e fungos. Possui outra substância, chamada de fator bífido, que também atua no intestino, destruindo bactérias e evitando a diarréia.

Não existe nada mais natural, nem um composto mais completo, que possa substituir o leite materno. Ele é o alimento mais importante para o desenvolvimento saudável do bebê.

O número de mulheres que não podem produzir leite é mínimo. Por isso, é importante que a mãe insista no aleitamento natural. Já está provado que crianças amamentadas no peito resistem melhor à infecções, desenvolvem uma dentição mais saudável e são mais seguras emocionalmente.

Claro que, à medida que o bebê se desenvolve, ganha peso e aparecem os dentinhos, novos alimentos podem e devem ser incluídos na sua dieta.

O vínculo afetivo mãe e filho, estabelecido no ato de amamentar, é insubstituível. A intensa proximidade e o envolvimento criam um poderoso elo.

MÃE E FILHO – ELO SUBLIME
É necessária muita compreensão no momento inicial da amamentação, pois esse relacionamento envolve muitas alegrias, angústias e até medo, por ser um período de novidades intensas.

O bebê interage com sua mãe desde os primeiros sinais de vida, pela audição, olfato, visão e tato. Na amamentação, acrescenta-se a satisfação oral por completo da necessidade de sucção do bebê.

A amamentação permite a aproximação dos corpos, jogos de olhares e prazer, havendo uma troca de amor e doação, fortalecendo o elo afetivo constituído pelo binômio mãe-bebe, tão importante para o desenvolvimento psicoafetivo da criança. É importante que a mãe se lembre de que amamentar está longe de ser um ato relacionado apenas à nutrição de seu filho.

A amamentação deverá ocorrer pelo menos nos seis primeiros meses de vida.

O bico do seio deve ser preparado antes do parto, para facilitar a amamentação. O médico deve orientar a mãe sobre como fazer.

MEIOS PARA UMA AMAMENTAÇÃO DE FORMA CORRETA E CONFORTÁVEL
Ao amamentar, a mãe deve estar em ambiente tranquilo, sentada com as costas eretas, em cadeira confortável e com os ombros relaxados, segurando o bebê na posição lateral com sua barrigudinha encostada na barriga da mãe. O bebê deverá estar posicionado para que a nuca coincida com a dobra do braço e a mãe apóie sua mão no bumbum do bebê. A mãe deve ficar atenta para que a cabeça do bebê esteja mais elevada que o restante do corpo.

Com a outra mão, a mãe facilitará a pega dos seios com os dedos abertos em posição de tesoura ou de concha. Para estimular a sucção, é só roçar o mamilo nos lábios do bebê. Além do mamilo, o bebê deverá abocanhar o máximo possível da aréola, pressionando assim os duetos de saída do leite e evitando também que engula ar pelos cantos da boca.

A pega correta estimula a glândula mamária a produzir mais leite, permitindo que o bebê se alimente à vontade, sem “morder” os mamilos com as gengivas afiadas, evitando fissuras e rachaduras nos seios.

Para que o bebê largue o seio da mãe, basta colocar o dedo mínimo no canto de sua boquinha, que ele vai soltá-lo imediatamente.

O hábito de sugar o seio é importante para o desenvolvimento dos maxilares do filho. Bebês que mamam no peito se esforçam 60 vezes mais para se alimentar que aqueles que tomam mamadeira.

O hábito de usar mamadeira pode gerar, ao longo do tempo, dificuldades da respiração e na fala.

Quando a criança tem uma amamentação natural, ela suga o alimento que lhe traz prazer oral e satisfaz sua fome, fazendo esforço e exercitando, assim, a musculatura. Já com a mamadeira, poderá sentir necessidade de exercitar a musculatura da boca, mostrando uma tendência a sugar o dedo. A fome é mais rapidamente saciada ao gotejamento da mamadeira e não requer grande esforço ao sugar.

Ocorrendo de forma natural, as funções respiração, amamentação, mastigação e deglutição oferecem estímulos externos necessários que proporcional o crescimento adequado da face.

EXERCITANDO A MUSCULATURA – ESTÍMULO ORAL
É importante entender como ocorre o esforço para extração do leite materno durante a amamentação. A boca do bebê se posiciona de forma que a parte anterior (gengiva superior) se apóie na superfície superior do mamilo e parte do seio. Enquanto isso, a mandíbula faz o movimento de ordenha para a frente e para trás e a língua trabalha como uma válvula hermética. Quando o bebê suga o seio ocorre um perfeito vedamento da boca, que provoca a respiração somente nasal, havendo então um esforço maior para a retirada do leite.

Esse esforço físico de ordenha se torna mais intenso, movimentando a mandíbula para a frente e para trás de forma sincronizada com a deglutição. Ao mamar na mamadeira, a exigência dos músculos é bem menos intensa.

Apenas como reforço da informação, o fluxo de leite na mamadeira não precisa dos movimentos de avanço e retração. A língua fica quase parada, com leves movimentos de vaivém, funcionando como uma válvula e impedindo que o bebê se afogue.

Durante a amamentação, o bebê acumula certa quantidade de leite na cavidade bucal. Esse leite é lançado para a parte posterior da boca por dois motivos, o primeiro causado pelo vedamento anterior da boca em contato com o mamilo. O segundo, por causa da elevação da língua com o fechamento nasofaríngeo, pela elevação do palato mole (parte posterior do céu da boca), facilitando assim o reflexo de deglutição do leite.

O trabalho intensivo de avanço e retração da mandíbula, realizado pelos músculos faciais responsáveis pela mastigação, faz com que estes estejam em função. Isso evita a sua flacidez e prepara-os para uma boa função mastigatória no futuro com os alimentos duros.

Esses movimentos de avanço e retração realizados pelos músculos fazem que a articulação da maxila e da mandíbula (ATM), receba estímulos neutrais constantes. Isso promove o crescimento da mandíbula, fazendo com que esta se encontre em posição ideal para a erupção dos dentes decíduos (dentes de leite).

Durante a amamentação, o bebê não solta o seio materno, respirando, dessa forma, somente pelo nariz, o que promove a correta filtragem, umidificação e aquecimento do ar.

Esse estímulo é responsável pelo desenvolvimento facial adequado. Portanto, vê-se que, por meio da amamentação, a mãe poderá ajudar a evitar problemas futuros de deglutição, mastigação, fonação e tratamento ortodôntico para seu filho.

A amamentação no seio materno previne a “Síndrome do Respirador Bucal”, a deglutição atípica, maloclusões, outras doenças do aparelho respiratório, disfunções na articulação e dificuldades na fala.

Para muitas mães, o início da amamentação é muito difícil por diversas razões, entre as quais as dores, sangramentos, fissuras, infecções ou depressão. Mas acreditamos que todo esforço é válido para se manter ou retomar a amamentação sempre que possível, devido a todos os benefícios que ela pode proporcionar.

Fonte: Saúde Bucal do Bebê e do Adolescente, editora Santos.

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