11 de setembro de 2019, 13:35.

O MÉTODO BLW

O método BLW teve o nome criado pela agente de saúde britânica Gill Rapley, autora do livro Baby-led Weaning: Helping Your Baby to Love Good Food (em tradução livre, Desmame Guiado pelo Bebê: Ajudando seu Filho a Amar Boa Comida) e tem ganhado cada vez mais adeptos pelo mundo. A idéia principal é não oferecer um prato diferente aos bebês, mas, sim, deixar que eles se sentem à mesa e participem das refeições familiares já a partir dos 6 meses de vida, quando é indicado se iniciar o desmame. Os pais colocam os alimentos cortados ao alcance e eles escolhem quando e como levar os pedaços à boca. “O BLW não é novo – pais do mundo inteiro têm praticado há anos. O que acontece é que agora isso tem nome”, esclarece Rapley.

A recomendação oficial da Organização Mundial de Saúde é que os pais comecem a oferecer alimentos para complementar a nutrição com leite materno ou fórmula assim que os filhos completarem 6 meses. Os pediatras orientam que essa introdução seja feita com as tradicionais papinhas. “A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher. Deve-se começar de forma pastosa (papas ou purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família”, prega o Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Para a nutróloga Jomara de Araújo, da Associação Brasileira de Nutrologia, a transição do aleitamento exclusivo para a introdução alimentar guiada pelo próprio bebê é um caminho natural. “A ingestão de sólidos deve acompanhar as necessidades orgânicas e habilidades motoras da criança, que pode e deve ter o controle total desse processo. A amamentação é absolutamente dominada pelo bebê, desde os seus primeiros minutos de vida. Portanto, nada mais fisiológico e racional do que seguirmos o mesmo princípio quando, após o sexto mês, iniciamos a oferta de sólidos”, defende.

Como fazer o BLW?

Depois de colocar o bebê sentado, junto à família, na hora das refeições, é importante disponibilizar alimentos apropriados. No início, é esperado que seu filho mais brinque com os alimentos do que coma. E tudo bem! Não se preocupe nem insista. Jamais o obrigue a comer, com prêmios, elogios, promessas ou distrações, muito menos com gritos, castigos ou ameaças. “Dizer a uma criança que ela se alimentou pouco e precisa comer mais é tão absurdo quanto falar que respirou pouco e precisa respirar mais”, compara o pediatra espanhol Carlos González, autor do livro Mi Niño no Come (Meu Filho não Come, em tradução livre, ainda sem edição brasileira).

Ele explica que, por mais que os bebês sejam expostos à comida, muitos levam um tempo até começarem, de fato, a se alimentar e é comum ingerirem quantidades pequenas até os 8 ou 9 meses. Às vezes, até mais tarde.

Quais os alimentos mais usados no método BLW?

• Brócolis ou cenoura cozidos;
• Batata ou mandioquinha cozidas;
• Banana, pera, mamão ou outras frutas cortadas. Evite frutas pequenas, como uvas, e mais duras, como maçãs cruas, devido ao risco de engasgo;
• Pedaços de carne ou frango;
• Fatias de pão.

É seguro?

Em relação à qualidade dos alimentos ingeridos, um dos princípios do BLW é que os pais devem confiar nos filhos. Na opinião do pediatra Daniel Becker, da Pediatria Integral, do Rio de Janeiro, é responsabilidade dos pais determinar o que a criança vai comer, tanto no conteúdo, como na forma. Se eles disponibilizarem comida caseira e não industrializada, respeitando tanto o apetite quanto a saciedade do filho, e na consistência adequada para a sua maturidade, os riscos de errar serão muito pequenos. “Não sou a favor dos extremos: dar autonomia demais ou de menos pode ser prejudicial ao desenvolvimento. A criança pode e deve comer com as mãos, desenvolvendo uma relação lúdica e prazerosa com a comida, mas o ideal é buscar o bom senso”, diz.

Rapley, no entanto, garante que o apetite dos bebês é confiável e que o corpo deles diz o que precisam. É claro que só conseguirão obter os nutrientes certos se houver uma oferta variada, com itens de cada grupo alimentar – construtores (carnes e outras proteínas), energéticos (arroz, batata e carboidratos em geral) e reguladores (legumes e verduras).

Quais são os benefícios do método BLW?

O método BLW permite que o bebê explore alimentos por conta própria e aprenda a lidar com as diferentes texturas da comida logo de cara.

Muitas famílias que optam por esse tipo de introdução alimentar dizem que as crianças acabam comendo de tudo e são bem mais abertas a novidades. Existe, contudo, pouca pesquisa científica até agora para demonstrar que o método funciona melhor que outras formas de introdução de sólidos, como a tradicional comidinha amassada oferecida na colher.

O que se sabe com certeza é que, desde que o bebê esteja pronto, é importante oferecer pedaços de alimentos mais molinhos, para que ele tenha oportunidade de mastigar.

Crianças que só são apresentadas à comida em pedaços mais tarde, depois dos 10 meses, tendem a ter mais resistência para comê-la e podem ser menos abertas a novas texturas e sabores ao crescer.

Outra vantagem do método BLW é cortar o tempo de preparação dos alimentos, já que não exige uso de liquidificadores ou processadores.

Existem contraindicações ao método BLW?

Até os mais apaixonados defensores do BLW concordam que se trata de um processo cheio de bagunça, sujeira e de uma boa dose de desperdício. Outro ponto a considerar é que, se a maior parte da comida acaba no chão, talvez o seu filho acabe não consumindo todos os nutrientes de que necessita para estar saudável.

Alguns bebês têm também mais dificuldade para mastigar certos alimentos, como carne bem passada, uma importante fonte de ferro. A partir dos 6 meses, as crianças precisam consumir ferro dos alimentos, porque o leite materno sozinho não dá conta da quantia necessária.

A comida em papinha ou bem amassada é uma ponte mais óbvia entre a alimentação líquida do leite e o início da alimentação com sólidos. Fica também mais fácil de visualizar o quanto o bebê está comendo quando você o alimenta com uma colher.

Muitos pediatras, nutricionistas e a própria OMS aconselham que alimentos bem amassados ou em forma de purê sejam introduzidos no início da transição junto a alimentos em pedaços. Ou seja, você não precisa “adotar” uma das teorias. Pode fazer experiências com várias formas de alimentação.

Algumas crianças se adaptam melhor começando com comida mais líquida e aos pouquinhos fazendo uma transição mais rápida para comida em pedaços.

BLW dá certo com leite materno e com fórmula?

Bebês amamentados no peito têm maior treino em dar duro pelo alimento, já que trabalham mais o maxilar e a língua para fazer a pega correta e sugar o leite. Os músculos que usam para mamar acabam dando uma vantagem no momento de aprender a mastigar.

Outro fator que diferencia os bebês amamentados no peito está relacionado à livre demanda. Essas crianças geralmente têm uma capacidade de controlar o consumo calórico de acordo com a própria necessidade, portanto o BLW acaba virando uma extensão desse mecanismo de autorregulamentação de comida.

Isso não significa que crianças acostumadas à mamadeira de fórmula não possam se adaptar. O que você vai precisar fazer é oferecer bastante água entre as mamadeiras e as refeições. Bebês que só mamam no peito não precisam disso, porque o leite materno é tanto uma comida como uma bebida.

Não é perigoso engasgar?

Essa é uma das perguntas mais ouvidas por quem opta pelo BLW. O mais frequente é o chamado gag reflex, um reflexo frequente quando as crianças ainda estão se habituando com os alimentos sólidos. A diferença é que, nesse caso, o bebê não fica com a passagem de ar obstruída. Ele apenas se atrapalha – às vezes, os olhos enchem de lágrimas por alguns instantes –, mas ele mesmo consegue manejar o alimento e desengasgar rapidamente.

Rapley garante que, contanto que o bebê esteja sentado, ereto, e mantenha controle sobre o que entra na sua boca, não existe risco aumentado de engasgar com o BLW.

FONTE: Revista Crescer / Revista Baby Center / Revista Saúde

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